Tratamentos

Cirurgia da obesidade

Cirurgia Bariátrica

O que é a cirurgia bariátrica?


A obesidade é uma doença crônica que reduz a expectativa e a qualidade de vida. A cirurgia bariátrica é um tratamento eficaz para auxiliar no controle de peso e das doenças associadas. Ela não é uma “solução mágica”, mas um recurso que deve vir acompanhado de mudanças no estilo de vida.

Quem pode fazer a cirurgia?

As indicações seguem critérios definidos pelo Índice de Massa Corporal (IMC) e pela presença de doenças associadas:

  • IMC ≥ 40 → Obesidade mórbida (grau III)
  • IMC ≥ 35 → Obesidade grau II com comorbidades (diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, infertilidade, artroses, hérnias de disco, colesterol ou triglicérides altos)
  • IMC ≥ 30 → Apenas em casos específicos de diabetes tipo 2 grave, com mais de 5 anos de evolução e difícil controle

Esse último grupo corresponde ao que chamamos de cirurgia metabólica, voltada ao controle do diabetes e de outras doenças metabólicas.

Quem não pode fazer a cirurgia?

A cirurgia bariátrica é contraindicada em situações como:

  • Limitação intelectual importante sem suporte familiar
  • Transtornos psiquiátricos graves não controlados
  • Dependência de álcool ou drogas ilícitas
  • Doenças cardíacas ou pulmonares graves e descompensadas
  • Doenças do fígado ou do sistema digestivo que aumentam o risco de sangramento
  • Síndrome de Cushing não tratada
  • Câncer em tratamento ativo

Benefícios da cirurgia

A perda de peso obtida com a cirurgia pode trazer importantes melhorias:

  • Controle ou até remissão do diabetes tipo 2
  • Redução da hipertensão arterial
  • Melhora da apneia do sono
  • Redução do colesterol e triglicérides
  • Melhora de dores articulares
  • Prevenção de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer

Riscos e complicações

Apesar de segura, a cirurgia envolve riscos, como qualquer procedimento:

Riscos imediatos (curto prazo):

  • Sangramento
  • Infecção
  • Reação à anestesia
  • Coágulos sanguíneos (trombose, embolia)
  • Vazamentos no estômago ou intestino (fístulas)

Riscos tardios (longo prazo):

  • Deficiências nutricionais
  • Refluxo ou úlceras
  • Obstrução intestinal ou hérnias
  • Hipoglicemia
  • Necessidade de nova cirurgia

Boa parte desses riscos pode ser reduzida seguindo corretamente as orientações médicas, com dieta adequada, suplementação de vitaminas e prática de atividade física.

Técnicas mais utilizadas

As principais cirurgias bariátricas realizadas atualmente são:

  • Gastrectomia Vertical (Sleeve): remove cerca de 75% do estômago, reduzindo a capacidade de ingestão e os hormônios relacionados à fome.
  • Bypass Gástrico em Y de Roux: cria uma pequena bolsa no estômago e desvia parte do intestino, diminuindo a absorção de calorias e nutrientes.

Ambas podem ser feitas por videolaparoscopia (mínima invasão), com bons resultados no controle do peso e das doenças associadas.

Resultados esperados

Cada paciente responde de forma diferente. Em média, é possível perder entre 50% e 70% do excesso de peso nos primeiros dois anos após a cirurgia. Mais importante do que o número na balança, são as melhorias na saúde e na qualidade de vida.

Em resumo: a cirurgia bariátrica é uma ferramenta poderosa no tratamento da obesidade e de doenças associadas. O sucesso depende da escolha da técnica adequada, do acompanhamento médico contínuo e do compromisso do paciente com mudanças duradouras nos hábitos de vida.